41 - Coleta e reciclagem de óleo usado em frituras

COLETA E RECICLAGEM DE ÓLEO USADO PROVENIENTE DE FRITURAS COMO FONTE ALTERNATIVA NA REDUÇÃO DE RESÍDUOS

 

Carlos Alexander de Campos

Graduando em Gestão Ambiental pela Faculdade de Administração e Artes de Limeira, formado em nível técnico na área de Segurança do Trabalho e membro fundador da ONG Representantes Ambientais de Cosmópolis - SP.

E-mail: carlosband@bol.com.br

 

Resumo

O presente trabalho busca realizar um diagnóstico da forma como é feito o descarte de óleo usado proveniente de frituras em Cosmópolis interior de São Paulo. Assim compreender como ocorre o rejeite e o grau de conscientização de comerciantes quanto às possibilidades de reciclagem desse óleo, sendo fundamental para que se criem projetos de Educação Ambiental a fim de garantir que o impacto gerado atualmente por seu descarte incorreto seja minimizado. Para o desenvolvimento deste diagnóstico utilizou-se ferramentas de pesquisa quantitativa e o referencial teórico de discussão se baseou nos preceitos do desenvolvimento sustentável.

 

Palavras-chave: Coleta de óleo usado proveniente de frituras, meio ambiente, poluição ambiental e desenvolvimento sustentável.

 

Abstract

This study aims to make a diagnosis of how it is done the disposal of used oil from frying in Cosmopolis interior of Sao Paulo. So to understand how the discard occurs and the degree of awareness of traders about the possibilities of recycling of oil is central to the creation of environmental education projects to ensure that the impact today for his incorrect disposal is minimized. For the development of diagnostic tools was used for quantitative research and theoretical discussion was based on the principles of sustainable development.

 Keywords: Collecting used oil from fried food, environment, environmental pollution and sustainable development.

 

1 - INTRODUÇÃO

Com o crescimento e desenvolvimento populacional desordenado no mundo, ­­diversos benefícios surgiram nas áreas da saúde, educação, turismo e em processos alimentícios proporcionando uma melhor qualidade de vida para a população, mas sabe se que tal desenvolvimento vem causando a poluição do Meio Ambiente. (MACHADO, 2004)

A questão ambiental deve ser tratada de forma global, considerando que a degradação do meio ambiente é resultante de um processo social, determinado pelo modo como a sociedade utiliza os recursos naturais, de maneira irracional e insustentável.

Hoje temos alguns conceitos abordando a responsabilidade perante o uso dos recursos naturais que segundo Dias (2006), recursos naturais e dos resto  prevê o uso responsável dos recursos naturais, por meios do desenvolvimento de atividades de sensibilização e de mudanças de hábitos, além de mudanças instrumentais nas diversas operações diárias.

O uso responsável através do conceito de desenvolvimento sustentável busca fundamento na origem no relatório de Brundtland (1987) apresentando assim um desenvolvimento que satisfaça as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer as suas.

O relatório chamou a atenção do mundo sobre a necessidade urgente de encontrar formas de desenvolvimento econômico que se sustentassem, sem a redução dramática dos recursos naturais nem com danos ao meio ambiente. (GONÇALVES, 2005)

Uma ferramenta usada é a educação ambiental, que segundo a Lei 9.795 (BRASIL – abr.1999) é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

A partir dos conceitos de desenvolvimentos sustentável, educação ambiental e do gerenciamento de resíduos, este trabalho busca realizar um diagnóstico da forma como é feito o descarte de óleo usado proveniente de frituras em Cosmópolis, interior de São Paulo e a partir daí compreender como ocorre o rejeite e o grau de conscientização de comerciantes quanto às possibilidades de reciclagem desse óleo.

A discussão aqui apresentada se justifica em um dos problemas apontados no gerenciamento inadequado deste resíduo relacionados a destinação incorreta do óleo usado que descartado no Meio Ambiente tende a não se misturar na presença de óleos nos rios cria uma barreira que dificulta a entrada de luz e a oxigenação da água, comprometendo assim, a base da cadeia alimentar aquática, contribuindo para a ocorrência de enchentes, além de propiciar o entupimento de tubulações de esgoto. (Revista Planeta Cidade, 2007)

Uma das propostas apresentadas neste estudo, na tentativa de minimização dos impactos gerados pelo descarte de óleo usado, é a de destiná-lo a fabricação do biodiesel, a fim de se adequar aos princípios que se estabelecem na definição de desenvolvimento sustentável e que será discutido aqui.

 

2. REFERENCIAL TEORICO

Para uma discussão palpável sobre o gerenciamento do óleo, resíduo proveniente de processos de produção alimentícia, alguns pontos deverão ser abordados como base teórica que fundamente a argumentação para viabilizar a reciclagem deste resíduo. Os pontos apresentados a seguir estão organizados de modo a fornecer dados que justifiquem esta proposta, tendo como intenção proporcionar subsídios argumentativos para que projetos desta ordem sejam implantados em vários municípios, a fim de proporcionar o envolvimento da sociedade através da Educação Ambiental, buscando meios para o desenvolvimento sustentável.

Esses elementos teóricos apresentados abaixo são importantes, mas são apenas algumas das estratégias, que por si só não produziram as mudanças necessárias, pois os desafios são de ordem estrutural. (DIAS, 2006)

 2.1. Desenvolvimento Sustentável

Segundo o Relatório Brundtland¹ foi aberto um caminho para interesses relacionados com qualidade de vida, ao definir desenvolvimento sustentável como “um desenvolvimento capaz de satisfazer as necessidades da geração atual sem prejudicar a habilidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades”.

Esse ponto se apresenta não só pela exigência de que o desenvolvimento seja harmonioso em relação e em respeito ao ambiente, mas também ao reconhecimento do próprio bem-estar do indivíduo. Os requisitos de um desenvolvimento sustentável serão atingidos somente se satisfazerem às necessidades do indivíduo com relação ao meio ambiente, estando às ações voltadas a preservação e conservação ambiental.

A teoria do desenvolvimento sustentável parte do ponto em que a maior parte das teorias que procuraram desvendar os mistérios sociais e econômicos das últimas décadas não obteve sucesso. O modelo de industrialização tardia ou modernização, que ocupou o cerne de diversas teorias nos anos 60 e 70, é capaz de modernizar alguns setores da economia, mas incapaz de oferecer um desenvolvimento equilibrado para uma sociedade inteira. (GONÇALVES, 2005)

Com o ponto apresentado acima sabemos que diversas atividades não possibilitam oferecer um desenvolvimento que seja equilibrado com as ações desenvolvidas, mas com planejamento e uso de ferramentas como a Educação Ambiental, seja formal ou informal, pode se tomar outros caminhos para tal desenvolvimento mais equilibrado e consciente perante a sociedade e ao Meio Ambiente.

Segundo Buarque (1994) podemos conceber o desenvolvimento sustentável como uma proposta que tem em seu horizonte uma modernidade ética, e não apenas uma modernidade técnica.

2.2. Educação Ambiental como ferramenta para o desenvolvimento sustentável

A educação Ambiental, em sua visão mais contemporânea, como resposta educativa à crise ambiental, tem pouco mais de três décadas de existência. Seu início se deu efetivamente entre as décadas de 60 e 70. Em 1972 aconteceu a Conferência de Estocolmo que pode ser considerado o primeiro foco oficial de alto nível em que se pensou na prevenção como princípio de gestão ambiental para contribuir para as mudanças de atitudes humanas em relação ao ambiente, em teoria, se devia atribuir à educação como ferramenta para responder aos problemas do ambiente. (SATO, 2003 apud Tozetti, 2008)

Um dos grandes desafios da Educação Ambiental contemporânea, talvez o mais importante e prioritário, segundo a autora é o de fundar vínculos significativos entre o local e o global, entre o ecológico e o socioeconômico. Isto porque frente ao “dever ser” que rodeia a polêmica sobre a Educação Ambiental para a sustentabilidade ou para o desenvolvimento sustentável, impõe-se uma educação sobre o “ser”: sobre o que somos e como somos, aqui e agora, as sociedades contemporâneas imersas em um processo acelerado de globalização econômica.

Para tal situação apresentada, segundo a Lei 9.795 (BRASIL – abr. 1999) em seu Artigo 2º a educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

A educação ambiental segundo Dias (2006) “é um conjunto de atividades que busca informar e sensibilizar as pessoas sobre a complexa temática ambiental, estimulando o envolvimento em ações que promovam hábitos sustentáveis de uso dos recursos naturais, além de propiciar reflexões sobre as relações ser humano-ambiente”.

Esta realidade é visível pelas atitudes observadas diariamente necessitando de ferramentas pertinentes a disseminação de informações como meios eletrônicos, matérias impressas, entre outros.

Segundo a Lei 9.795 (BRASIL – abr. 1999) referente à Educação Ambiental agrega valores na capacidade de cada pessoa proporcionando um relacionamento mais harmonioso com o meio ambiente, possibilitando uma melhor qualidade de vida para as futuras gerações.

Sabendo se da incumbência do processo educativo formal ou informal, é fundamental apresentar informações à sociedade como um todo, buscando manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais.

Hoje os problemas são visíveis e a solução só pode ser concebida em longo prazo com inicio de atuação no presente. Ainda se faz necessário intensificar as discussões sobre preservação e conservação do meio ambiente com decisões de ordem global, para que cada sociedade possa se mostrar responsável pelas mudanças com relação ao impacto que se gera diariamente a natureza e pelos problemas que estão sendo observados em decorrência da ação depredatória do homem. 

Segundo a Constituição Federal (BRASIL 1988) em seu artigo 225 todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

A partir das perspectivas apresentadas pela Educação Ambiental para garantia de processos sustentáveis é que se propõe neste trabalho utilizá-la como ferramenta para o desenvolvimento de projetos de reciclagem de óleo usado na produção de biodiesel. Sabe se que para se encontrarem soluções para mitigação de impacto ambiental gerado pelo óleo usado é primordial que se foque na educação e sensibilização social, e a partir daí, através de empresas públicas e privadas, e pelo o terceiro setor (ONGs e OSCIPs), se criar meios para coletar e destinar corretamente o óleo e gordura gerados em processos alimentícios.

 2.3. Redução de Resíduos

Para Oliveira (2002) “vivemos um momento de crise do processo civilizatório, da necessidade de reconstrução de valores, pautados por uma nova ética de promoção de vida, que releve a dignidade humana e repensem as relações dos seres humanos entre si e com a natureza”.

A partir dessa necessidade de mudança e da discussão sobre desenvolvimento sustentável é que nos dias de hoje se tem buscado meios alternativos para proporcionar uma redução de resíduos gerados nos processos alimentícios, envolvendo a sociedade na perspectiva de minimização da degradação do meio ambiente.

E é dentro desta perspectiva e a fim de garantir processos de gerenciamento de resíduos que o Estado de São Paulo a partir da Lei 12.047 (SÃO PAULO – set. 2005) em seu  Artigo 1º estabelece e instituí o Programa Estadual de Tratamento e Reciclagem de Óleos e Gorduras de Origem Vegetal ou Animal e Uso Culinário. Mediante a adoção de medidas estratégicas de controle técnico, para não se incidir na proibição de lançamento ou liberação de poluentes nas águas, no ar ou no solo.

Como solução para redução deste resíduo Christoff (2006) afirma que a produção de um biocombustível a partir deste traria inúmeros benefícios para a sociedade, pois haveria diminuição de vários problemas relacionados ao seu descarte. E além destes benefícios, ainda haveria a possibilidade de aumentar a produção e a utilização de biocombustível, como no caso o biodiesel, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa, contribuindo com o meio ambiente.

Apesar dos possíveis benefícios no emprego de óleos vegetais como substituto ao diesel, barreiras em exemplo, espaço fisico para o plantio de plantas oleogenosas para extração de materia prima,  estabelece pelo ponto de vista econômico e ético no qual motivaram a busca de matérias primas alternativas para a produção de biocombustíveis. (PARENTE, 2003 apud PASQUALETTO, 2008)

Considerando o óleo usado, resíduo gerado por processos alimentícios, o qual faz parte diretamente do cotidiano das pessoas sabe se que por falta de informações e alternativas de destinação o óleo é despejado de maneira inadequada podendo poluir cursos d’água e solo.

Segundo Hocevar (apud Pasqualetto, 2008) cada litro de óleo despejado no esgoto urbano tem potencial para poluir cerca de um milhão de litros de água, o que equivale à quantidade que uma pessoa consome ao longo de quatorze anos de vida.

 2.4. Óleo proveniente de frituras

Segundo Neto e Rossi (1999) óleos e gorduras utilizados repetidamente em fritura por imersão sofrem degradação por reações tanto hidrolíticas quanto oxidativas.  Neste caso, a oxidação, que é acelerada pela alta temperatura do processo, é a principal responsável pela modificação das características físico-químicas e organolépticas do óleo. O óleo torna-se escuro, viscoso, tem sua acidez aumentada e desenvolve odor desagradável, comumente chamado de ranço.

Os óleos residuais de frituras representam grande potencial de oferta. Um levantamento primário da oferta de óleos residuais de frituras, suscetíveis de serem coletados, revela um potencial de oferta no país superior a 30 mil toneladas por ano. Algumas possíveis fontes dos óleos e gorduras residuais são: lanchonetes e cozinhas industriais, indústrias onde ocorre a fritura de produtos alimentícios, os esgotos municipais onde a nata sobrenadante é rica em matéria graxa, águas residuais de processos de indústrias alimentícias. (SILVA et. al, 2005 apud PASQUALETTO, 2008)

O tabela 1 apresenta os principais tipos de resíduos gordurosos, sua disponibilidade e qualidade para seu uso como combustível alternativo.  Demonstra que a origem do resíduo irá determinar sua disponibilidade, qualidade e custo para utlização como combustível.

 

 

Tabela 1: Principais tipos de residuos gordurosos e sua disponibilidade/qualidade para o uso como combustivel.

 

Óleo e Gordura residual

Custo

Qualidade

Volume

Preparo

De fritura comercial

(0)

+

++

+

De fritura residencial

(0)

++

-

++

De fritura industrial

-

+

++

+

De matadouros e frigoríficos

(0)

-

++

-

Do tratamento de esgoto

+

--

+

--

(++) muito favorável , (+) favorável, (0) satisfatório, (-) desfavorável, (--) muito desfavoravel

 

Fonte: ALMEIDA et al, 2000 apud PASQUALETTO, 2008.

Extraído em: XXXI Congresso Interamericano Aidis - Aproveitamento do Óleo Residual de Fritura na Produção de Biodiesel Acesso em: 23/11/2009.

 

 Segundo Christoff (2007) a presença deste resíduo além de acarretar problemas de origem estética, diminui a área de contato entre a superfície da água e o ar atmosférico impedindo a transferência do oxigênio da atmosfera para a água, e também os óleos e graxas em seu processo de decomposição, reduzem o oxigênio dissolvido elevando a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), causando alteração no ecossistema aquático. A DBO é normalmente considerada como a quantidade de oxigênio consumido durante um determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica. Um baixo teor de oxigênio dissolvido nas águas é fatal para a vida que é comprometida diretamente quando jogamos um óleo vegetal na pia da cozinha.

2.5. Minimização de Resíduos para a fabricação de Biodiesel

A reciclagem de resíduos vem ganhando um espaço cada vez maior, principalmente porque os efeitos da degradação ambiental decorrente de atividades industriais e urbanas estão atingindo níveis cada vez mais alarmantes, mas além disso porque os resíduos também podem retornar ao processo produtivo como matéria prima de baixo custo ².

No Brasil o conceito da reciclagem vem ganhando o mercado. Há pouco tempo o óleo residual oriundo do consumo humano é destinado à fabricação de sabões caseiros e, em menor volume, à produção de biodiesel.

Pela definição da Lei Nacional 11.097 (BRASIL – jan. 2005), o biodiesel pode ser classificado como um combustível alternativo, de natureza renovável, que possa oferecer vantagens sócio-ambientais ao ser empregado na substituição total ou parcial do diesel de petróleo em motores de ignição por compressão interna (motores do ciclo Diesel).

Tecnicamente, segundo Pasqualetto (2008), o biodiesel é definido como um éster alquílico de ácidos graxos, e obtido a partir da reação química (transesterificação) entre óleos vegetais (virgens ou de fritura) e álcool proveniente da cana de açúcar (chamado etanol) ou do metanol (álcool proveniente do gás natural ou petróleo).

A transesterificação é o processo mais utilizado atualmente para a produção de Biodiesel. O processo inicia se na adição do óleo vegetal com um álcool (metanol, etanol, propanol, butanol) e catalisadores (que podem ser ácidos, básicos ou enzimáticos).

Segundo Christoff (2006) a figura 1 apresenta o processo de transesterificação e é um dos processos para a produção de biodiesel mais convencional a partir de óleo residual de fritura, constituído por etapas de pré-tratamento da matéria prima, reação de transesterificação e de purificação do biodiesel obtido.

 

Figura. 1. Processo de obtenção de biodiesel a partir da transesterificação etílica do óleo residual de fritura.

2862007g2
Fonte: CHRISTOFF (2006)

O Biodiesel é um biocombustível 100 % renovável e alternativo ao diesel derivado do petróleo.

Dentre as alternativas estudadas a reutilização de óleos e gorduras vegetais residuais de processos de frituras de alimentos tem se mostrado atraente, na medida em que aproveita o óleo vegetal como combustível, após a sua utilização na cadeia alimentar, resultando assim num segundo uso, ou mesmo uma destinação alternativa a um resíduo da produção de alimentos. (ALMEIDA et al., 2000 apud PASQUALETTO, 2008)

Alem de óleos e gorduras, outras matérias primas podem ser utilizadas para a fabricação do biodiesel. Essas matérias primas poderão ser empregadas de acordo com o processo produtivo, instalações e sua demanda na eficiência de sua posterior fabricação.

Na figura 2 temos uma breve apresentação da diversidade das fontes que propiciam a fabricação de biodiesel, considerando outros meios empregados na utilização de diversas matérias primas sendo provenientes de abatedouros, plantios de plantas oleaginosas e por meio da estação de tratamento de esgoto.

 

Figura. 2.  Representa um fluxograma dos diversos Oleos das cadeias produtivas do biodiesel, considerando os grupos ou fontes de matérias-primas.

 

Fonte: AGE e DONNINI, 2006 apud. PASQUALETTO, 2008.

 

3. METODOLOGIA

No aspecto metodológico coube diagnosticar a geração de óleo proveniente de frituras a partir de um estudo de caso que é caracterizado por ser um estudo intensivo, que leva em consideração, principalmente, a compreensão, como um todo, do assunto a ser investigado. (FACHIN, 2006)

Para este caso analisado com o uso do questionário estabelecido inicialmente obtivemos segundo Fachin (2006) a importância para detectar novas relações, alguns estudos podem ser auxiliados pela formulação de hipóteses e com o apoio da estatística e, ainda como auxiliares, podem ser usados o formulário ou a entrevista e, em casos excepcionais, o questionário como instrumento de pesquisa.

Inicialmente o estudo partiu se pela elaboração e aplicação de um questionário com propósito de se compreender a dinâmica de descarte do resíduo proveniente de processos alimentícios, o óleo usado e seu volume aproximado, providos de bares e lanchonetes e, posteriormente suas conseqüências assim apresentadas. Com este ponto finalizado será aprofundado para outros meios que possibilitem o desenvolvimento sustentável como o processo e instalações de usinas para a fabricação de biodiesel.

Segundo Fachin (2006) o questionário deve levar em conta seu propósito, precisando ser considerados dois aspectos essenciais: aspecto material e aspecto técnico. O aspecto material diz respeito a apresentação de um questionário datilografado, impresso, fotocopiado, etc. e, quanto ao aspecto técnico deve obedecer os princípios gerais e as regras especificas em cada situação.

Foram analisados questionários de 27 estabelecimentos comerciais geradores de óleo em suas atividades no município de Cosmópolis, buscando fundamentos formais pela Educação Ambiental. Desses 27 estabelecimentos apenas 3 apresentaram uma possível alternativa na minimização do resíduo, a fabricação de sabão caseiro.

Com o questionário a primeira analise foi à falta de consciência sobre os impactos ambientais ocasionados pelo descarte. Consecutivamente a mais apresentada por comerciantes foi o entupimento das redes de esgoto, a qual causa refluxo na rede, comprometendo o andamento das atividades comerciais de seu segmento.

Considerando assim que no montante de 24 estabelecimentos comerciais (bares e lanchonetes) pode se gerar aproximadamente um volume/mês de 480 litros (24 estabelecimento x 20 litros/mês) deste resíduo, entre o óleo e gorduras, variável de acordo com a demanda por clientes e até pela reutilização deste óleo por diversas vezes.

Com as informações apresentadas buscou se uma alternativa através de uma ONG ambiental e uma entidade social no município de Cosmópolis, que recentemente esta atuando na coleta e destinação final do óleo, proporcionando um meio viável e mais adequado para os estabelecimentos geradores deste resíduo.

A partir de então será proporcionado a coleta deste resíduo pela ONG e entidade nestes estabelecimentos analisados, cabendo a cada comerciante adotar a iniciativa de um descarte correto.

Sem dúvida, as vantagens sociais unem-se as ambientais e econômicas, uma vez que a gestão ambiental além de combater os impactos ambientais decorrentes do descarte incorreto de óleos residuais de fritura, contribui para o incremento salarial de famílias de baixa renda, os catadores de lixo, que passariam a ser também coletores de óleo. Conseqüentemente, a sociedade, como um todo, seria beneficiada (FERNANDES, et. al. 2008).

 

4. DISCUSSÃO E RESULTADOS

Com a aplicação do questionário para um montante de 27 estabelecimentos comerciais se obteve a informação de que 81 % dos proprietários não possuíam informações sobre a destinação correta de seu resíduo e desconheciam as conseqüências ambientais e sociais geradas pelo mesmo. Dos entrevistados apenas 19 % reutiliza o óleo residual do processo produtivo, empregado na fabricação de sabão caseiro fazendo deste resíduo, matéria prima para um novo produto utilizado pelos estabelecimentos.

As perguntas abrangeram primeiramente o volume de óleo e gorduras gerado em suas atividades por mês podendo se estimar assim, que no montante de 24 estabelecimentos comerciais (bares e lanchonetes) pode se gerar aproximadamente um volume/mês de 432 litros (24 estabelecimento x 18 litros/mês) deste resíduo, entre o óleo e gorduras.

Após este argumento apresentado referente ao volume, foi abordado sobre a destinação realizada anteriormente pelos comerciantes, apontando a partir de então o descartar em pias, ralos e bueiros e, às vezes a doação deste resíduo para indivíduos do município que de modo parcial e sem datas definidas recolhem e fabricam o sabão caseiro.

Entre os pontos abordados foi questionado o problema que mais esta relacionado com o descarte inadequado vivenciados por eles, sendo a principal apresentada pelos mesmos, o entupimento das caixas de esgotos e suas redes. Essa questão mostra que o conhecimento perante o impacto do Meio Ambiente é desconhecida, não tendo uma visão de suas consequências futuras no comprometimento da água e solo.

Para se fundamentar as informações, é essencial a utilização de ferramentas consideradas mitigatórias para esta situação empregando a Educação Ambiental ao desenvolvimento sustentável, providos de um descarte correto pela mudança de hábitos e atitudes nos estabelecimentos geradores deste resíduo.

Ainda pela analise buscou se sugestão sobre o ponto de vista de cada um em seu estabelecimento, obtendo se dois pontos. O primeiro esta em estabelecer um meio de comunicação para prestar informações pertinentes a educação e aos impactos gerados e, posteriormente buscar a mudança de hábitos e atitudes perante o descarte hoje realizado inadequadamente e por fim, em outro ponto foi buscar uma alternativa para o descarte que esta sugerido a partir da coleta de óleo da ONG e da entidade no município.

Com as respostas apresentadas percebe se que a poluição ambiental e a consequências de entupimento em tubulações está relacionada nas atitudes das pessoas pelo descarte inadequado do óleo.

Assim temos, o óleo, depois de usado, como um resíduo indesejado e sua reciclagern como biocombustível alternativo não só retiraria do meio ambiente um poluente, mas também permitiria a geração de uma fonte alternativa de energia. (CHRISTOFF, 2006)

 

4    - CONCLUSÃO

Pode se concluir que apesar dos grandes problemas ambientais temos hoje uma grande carência de informações e ações que estejam voltadas para a mitigação impactante das ações antrópicas perante o Meio Ambiente e a sociedade.

Concluí se também que para uma amplitude de resultados positivos tem que haver uma união entre população e as partes relacionadas à coleta e reciclagem do resíduo proveniente de processos alimentícios engajando a todos na resolução ambiental a partir Educação Ambiental como ferramenta para o desenvolvimento sustentável.

Para tanto e, de forma a promover mecanismos legais de viabilidade do uso do óleo e gorduras como fonte alternativa é preciso o fortalecimento das ações mitigatórias, com isso a sensibilização, educação, coleta, armazenamento, transporte e descarte final embasado em um ciclo de processo produtivo fechado.

Espera se também que ocorra uma maximização no interesse de empresas em utilizar um determinado resíduo como fonte alternativa na geração de energia no qual estará beneficiando na redução do resíduo do óleo e gordura transformando assim em um bicombustível alternativo e com menos impurezas para sua queima nos motores a combustão. 

Nos dias de hoje temos uma diversificação em empresas que utilizam seus veículos movidos ao biodiesel beneficiando a redução na emissão de gases do efeito estufa. Com a instalação de uma pequena unidade de produção de biodiesel utilizando o óleo residual de fritura como matéria-prima para a produção de biodiesel, as empresas, estariam ajudando a preservar o meio ambiente e a partir de então garantir uma melhor qualidade de vida a população, sob três aspectos: o óleo residual não seria descartado na rede de esgoto diminuindo o entupimento das redes, possibilita a minimização da contaminação de rios e solo, além  de contribuírem para diminuição da emissão de gases poluidores.

 

5    – REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

 

BRASIL. Programa de Educação Ambiental - LEI N° 9.795, de 27 de Abril de 1999.

BRASIL. Dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira - LEI No 11.097, de 13 de Janeiro de 2005.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 - Capítulo VI do Meio Ambiente - Artigo 225

SÃO PAULO. Programa Estadual de Tratamento e Reciclagem de Óleos e Gorduras de Origem Vegetal ou Animal e Uso Culinário - LEI Nº 12.047, de 21 de Setembro de 2005 de São Paulo.

Fonte: http://www.revistaea.org/

 

 

 

 


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